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Nexo de CausalidadeCapítulo 2

2.3.3. As Teorias da Causalidade: Aspectos Práticos

da equivalência das condições, por si só, não determina a culpa, mas apenas a identificação das causas fáticas que contribuíram para o resultado. Apesar das dificuldades, a teoria se mantém...

Alessandro Lavorante 8 de dezembro de 2024 2 min de leitura

da equivalência das condições, por si só, não determina a culpa, mas apenas a identificação das causas fáticas que contribuíram para o resultado. Apesar das dificuldades, a teoria se mantém relevante como ponto de partida para análise do nexo causal, pois enfatiza a necessidade de se perquirir quais condições se apresentam como pressupostos fáticos do dano341. A teoria da causalidade próxima (ou causa próxima, última causa ou última condição), comumente atribuída a Francis Bacon, visa simplificar a identificação da causa do dano ao focar no último evento antecedente ao resultado. Em certos contextos do common law, a escolha pela última condição busca uma “unidade finalística” para explicar o prejuízo342. Entretanto, o critério temporal não é absoluto – Cícero Dantas Bisneto observa que a última condição em uma cadeia causal complexa pode ter pouca ou nenhuma relevância para o desfecho do evento, tornando inadequada sua exclusividade como critério de responsabilização. Ademais, em casos onde há um intervalo temporal significativo entre a conduta e o resultado lesivo, a aplicação da causalidade próxima revela-se especialmente falha e, potencialmente, prejudicial à vítima343. Pense-se em um sistema de inteligência artificial responsável por gerenciar ações de emergência em uma usina química. Ocorre um vazamento tóxico e, no momento em que o sistema detecta o problema, dispara um protocolo de fechamento de válvulas. Entretanto, por falha em um componente recentemente instalado – o “último evento” antes do acidente – a contenção não é efetivada e a substância é liberada no ambiente. De acordo com a teoria da Causalidade Próxima, poder-se-ia atribuir a causa do dano apenas à falha desse componente derradeiro. Porém, investigações podem revelar que um erro de programação (anterior no tempo) contribuiu de forma determinante para a configuração inadequada do dispositivo, sendo, portanto, injusto limitar a análise de causalidade apenas ao evento final. O simples fato de ter sido o “último ato” não elimina a relevância de falhas anteriores, que podem ter preparado o terreno para a materialização do dano. 341 Cavalieri Filho, 2023, p. 59. 342 Miragem, 2020, p. 242. 343 Dantas Bisneto, 2024, p. 4.1.

TeoriasCausalidadeEquivalênciaCausalidade Adequada

Alessandro Casoretti Lavorante

Prof. Me. pela USP

Advogado especializado em Direito Digital, IA e Startups. Mestre em Direito Civil pela USP. Autor do livro "Responsabilidade Civil por Inteligência Artificial".

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