fundamentais, como o bom senso, a autoconsciência e o reconhecimento do ambiente, aliando aspectos de aprendizado amplo e habilidades de autoaperfeiçoamento. Seu objetivo é simular a inteligência humana em nível abrangente, possibilitando uma “explosão de inteligência” que culminaria em uma IA superinteligente, capaz de evoluir autonomamente77. No entanto, e conforme apontou Terence Mills em 2018, “a visão da IA como sendo algo que envolve máquinas pensantes com habilidades que atendem ou ultrapassam a cognição de nível humano” ainda é apenas uma aspiração.78 De fato, pode-se afirmar que, embora a IA forte venha sendo um objetivo de esforços investigativos há muito tempo, até o ano de 2025 nenhuma tecnologia de IA, ao menos as de conhecimento do público em geral, se aproxima significativamente daquilo que se espera da IA forte. Como bem explica Jack Krupansky, os sistemas de IA atuais não são capazes de (e nem foram necessariamente projetados para) igualar as habilidades humanas de ordem superior, como raciocínio abstrato, compreensão de conceitos, flexibilidade cognitiva, resolução geral de problemas e o vasto espectro de funções associadas à inteligência humana79. Assim sendo, como os sistemas baseados em IA forte ainda não foram desenvolvidos, é importante consideSearle à Inteligência artificial, 2014. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/ tede/5646?locale=pt_BR. Acesso em: 05 maio 2024.
Notas
77. Conforme Corvalán, Dávila e Simari (2023, pp. 33-34), IJ Good foi o primeiro a desenvolver a noção de superinteligência em 1965. Basicamente, a “máquina ultra inteligente” é aquela que pode superar “em muito” todas as atividades humanas. Tratar-se-ia de uma máquina ultra inteligente que poderia projetar máquinas melhores, o que sem dúvida geraria uma “explosão de inteligência”. A expectativa é que, de 2070 a 2100, as máquinas tornar-se-ão conscientes, partindo de pelo menos três componentes: 1. Capacidade de sentir e reconhecer o ambiente; 2. Autoconsciência; 3. Capacidade de planejar o futuro estabelecendo objetivos e planos, ou seja, simulando o futuro e desenvolvendo uma estratégia. Atualmente, pesquisadores como Bostrom, Kurzweil e Barrat se dedicam a tratar da superinteligência ou explosão de inteligência. 78. Embora a colocação de Mills tenha sido feita há alguns anos atrás – e não podemos nos esquecer dos avanços exponenciais da IA –, sua afirmação continua sendo relevante e atual. Mills, Terrence. AI vs AGI: What’s the Difference? Artigo de 17 set. 2018 para a Forbes. Disponível em: https://www. forbes.com/sites/forbestechcouncil/2018/09/17/ai-vs-agi-whats-the-difference/#517ec50d38ee. Acesso em: 21 maio 2024. 79. Krupansky, Jack. Untangling the Definitions of Artificial Intelligence, Machine Intelligence, and Machine Learning. Artigo de 13 jun. 2017 para o periódico Medium. Disponível em: https://medium.com/@jackkrupansky/untangling-the-definitions-of-artificial-intelligence- machine-intelligence-and-machine-learning-7244882f04c7. Acesso: em 04 maio 2024.Alessandro Casoretti Lavorante
Prof. Me. pela USP
Advogado especializado em Direito Digital, IA e Startups. Mestre em Direito Civil pela USP. Autor do livro "Responsabilidade Civil por Inteligência Artificial".