A IA Fraca, também conhecida como IA “restrita”, “estreita” ou “branda”, refere-se a sistemas de IA projetados para realizar tarefas específicas utilizando algoritmos inteligentes e técnicas informáticas. Ao contrário da IA forte, que, como veremos adiante, aspira a ter capacidades cognitivas gerais similares às humanas, a principal característica da IA fraca é tratar-se de um sistema desenvolvido para resolver problemas dentro de um domínio delimitado e bem definido72. Embora esses sistemas sejam altamente especializados e eficazes em suas áreas de aplicação – sobretudo para solucionar problemas específicos e interagir diretamente com os usuários –, eles não possuem a capacidade de “pensar” ou raciocinar fora de contextos específicos. Portanto, a IA fraca – ou restrita, como o nome já diz – é limitada em seu escopo e não possui entendimento ou poder de decisão para além das tarefas para as quais foi programada. Essa forma de IA é a que, de fato, conhecemos atualmente, visto que é amplamente utilizada na indústria e no cotidiano – nos vários processos reconhecidos como aplicações da inteligência artificial73. A IA Forte, também chamada Inteligência Artificial Geral (Artificial General Intelligence, AGI)74, relaciona-se com o objetivo – ainda teórico – relacionado a máquinas “pensantes” com cognição de nível humano. Para Ray Kurzweil75, a IA forte representaria a transformação mais importante do século XXI, representando a fase final de transição da IA fraca. Também chamada de “Hércules” por John Searle76, a IA forte tem despertado interesse de muitos cientistas, que buscam replicar aspectos humanos
Notas
73. Corvalán, Dávila e Simari, 2023, p. 32. Veja-se também Desai, Rajiv, Artificial Intelligence (AI). Artigo de 23 março 2017. Disponível em: http://drrajivdesaimd.com/2017/03/23/artificial- intelligence-ai/. Acesso em: 05 maio 2024. 74. Não é incomum encontrar autores que se refiram a IA Forte como “IA geral”. 75. Kurzweil, Ray. A Singularidade está próxima: quando os humanos transcendem a biologia. São Paulo: Iluminuras. 2018, p. 339. 76. John Searle comparou a IA forte a Hércules em suas discussões sobre a filosofia da mente e a inteligência artificial. A analogia com Hércules é usada para ilustrar a ideia de que a IA forte, como o lendário herói, é vista como uma entidade extremamente poderosa e capaz, mas, ainda assim, uma figura mitológica no contexto da tecnologia atual. Searle é conhecido por suas críticas à IA forte, particularmente através de seu famoso argumento do “quarto chinês”, no qual ele argumenta que a manipulação de símbolos (o que a IA faz) não é suficiente para criar verdadeira compreensão ou cognição. Ver mais em Amorin, Paula F. Patrício, A Crítica de JohnAlessandro Casoretti Lavorante
Prof. Me. pela USP
Advogado especializado em Direito Digital, IA e Startups. Mestre em Direito Civil pela USP. Autor do livro "Responsabilidade Civil por Inteligência Artificial".