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Inteligência ArtificialCapítulo 1

1.1.1. O que é e o que não é Inteligência Artificial: Perspectivas e Desafios

contínuo aprendizado a partir de dados históricos, corroborado pela imitação do raciocínio humano para solucionar determinadas situações12. Observa-se, de um modo geral, que as definições...

Alessandro Lavorante 12 de fevereiro de 2024 3 min de leitura

contínuo aprendizado a partir de dados históricos, corroborado pela imitação do raciocínio humano para solucionar determinadas situações12. Observa-se, de um modo geral, que as definições encontradas em artigos científicos – de variados autores – se assemelham em estabelecer que a IA é qualquer “inteligência” artificialmente criada, ou seja, qualquer sistema de software capaz de simular o pensamento humano, seja em um computador ou em outros dispositivos13. E, por qual razão as definições, substancialmente, costumam comparar a inteligência artificial com a inteligência humana? Pelo fato de estarem envolvidos, na maior parte das operações realizadas com IA, certos processos cognitivos de ordem superior – como raciocínio lógico, planejamento, resolução de problemas, entre outros – que podem ser associados à inteligência humana. A partir dessas definições iniciais, nos perguntamos: o que não é Inteligência artificial? Ou, o que determina que determinadas tarefas sejam casos de IA e não simplesmente tarefas de automação em geral? A resposta encontra-se no fato de todas apresentarem, em comum, as mesmas características utilizadas por seres humanos quando realizam tais atividades, ou seja, os mesmos processos cognitivos que, em geral, são associados à inteligência humana14. Por exemplo, quando seres humanos jogam xadrez, eles empregam uma série de capacidades cognitivas, incluindo raciocínio, estratégia, planejamento e tomada de decisões. Da mesma forma, quando as pessoas realizam traduções de um idioma para outro, são ativados centros cerebrais de ordem superior para processar os símbolos, o contexto, a linguagem e o significado. Por fim, um exemplo adicional: quando as pessoas dirigem automóveis, diversos sistemas cerebrais são acionados para a tarefa, incluindo aqueles relacionados à visão, ao reconhecimento espacial, à consciência situacional, ao movimento e ao julgamento/discernimento15. Em síntese, sempre que os engenheiros automatizam uma atividade que,


Notas

16. Russell e Norvig, op.cit., p. 2. 17. É necessário esclarecer que o termo “decisão”, que veremos muitas vezes no contexto de IA, refere-se a uma ação realizada pela IA sem intervenção humana direta no momento da execução, mas seu uso é figurativo e funcional, não implicando subjetividade, intenção ou livre-arbítrio. A “autonomia” da IA consiste na capacidade de operar dentro de limites predefinidos, baseada em algoritmos e dados programados ou aprendidos, sempre sob supervisão humana no design e nos parâmetros do sistema. Assim, o termo “decisão” deve ser entendido como uma resposta funcional a padrões detectados, e não como um ato consciente ou jurídico no sentido humano do termo. 18. Maia, Ana Rita. A Responsabilidade Civil na Era da Inteligência artificial: Qual o Caminho? Revista Julgar, maio/2021. Lisboa, pp. 7-8. Disponível em: https://julgar.pt/a-responsabilidade- civil-na-era-da-inteligencia-artificial-qual-o-caminho/. Acesso em: abr. 2024.
DefiniçõesIAConceitos Fundamentais

Alessandro Casoretti Lavorante

Prof. Me. pela USP

Advogado especializado em Direito Digital, IA e Startups. Mestre em Direito Civil pela USP. Autor do livro "Responsabilidade Civil por Inteligência Artificial".

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