e do objetivo específico da análise. Por exemplo, ao analisar uma gravação de áudio, pode ser complicado determinar se todas as informações importantes foram capturadas, já que a percepção do que é “completo” varia com base no que se busca identificar ou compreender. Essa avaliação exige cuidado e critério, pois a noção de completude pode mudar conforme as necessidades da análise. Depreende-se do exposto que os dados pessoais podem variar substancialmente dependendo de por quem, de onde, quando e com que propósito os dados foram coletados55. Como pontua Meredith Broussard, os dados – e todo o processo de IA – são criados por seres humanos: “Não obstante os dados poderem ser gerados por diferentes modos, há uma coisa que todos os exemplos possuem em comum: todos os dados são gerados por pessoas”56. A informação é o passo seguinte aos dados, após os dados serem processados, organizados e interpretados para criar significado. As informações representam o conhecimento ou interpretação ou significado extraído dos dados brutos. Na IA, essas informações derivadas de dados servem de base para os sistemas aprenderem, realizarem inferências e tomadas de decisão. Portanto, na infraestrutura dos sistemas, a informação é o elo entre os dados brutos e o conhecimento utilizável. Sem transformar os dados em informação, a IA não poderia aprender, inferir ou interagir de forma útil com o mundo. Os dados brutos são palavras ou frases sem significado formado; a informação seria “o usuário está pedindo uma recomendação de restaurante”. Por conseguinte, quando os dados são transformados através da aplicação de algum tipo de processo de análise ou são interpretados em um contexto específico, eles deixam de ser “crus” para se tornarem informação57.
Notas
59. 2023, pp. 49-50. 60. Navarro, 2017, p. 24. 61. Cormen, Thomas H.; Rivest, Ronald L.; Stein, Clifford; Leiserson, Charles E. Algoritmo: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 1.1. 62. Dapkevicius, 2024, pp. 68-69.Alessandro Casoretti Lavorante
Prof. Me. pela USP
Advogado especializado em Direito Digital, IA e Startups. Mestre em Direito Civil pela USP. Autor do livro "Responsabilidade Civil por Inteligência Artificial".