uma vez, teve um papel fundamental nesses esforços, a partir de um artigo publicado em 1950 na revista Mind, sob o título “Computing Machinery and Intelligence”30. Seu artigo é considerado uma obra essencial para a inteligência artificial, pois são discutidas questões filosóficas sobre a natureza da mente e da inteligência, culminando na intrigante pergunta sobre a possibilidade de máquinas poderem vir a pensar. Mais precisamente, Turing se debruça sobre a possibilidade de uma máquina poder imitar o comportamento humano a ponto de ser indistinguível de um humano em uma conversa. Sob tal enfoque, o cientista propõe aquele que se tornou conhecido como “Teste de Turing”. No teste em questão, uma máquina é considerada inteligente se puder engajar-se em uma conversa com um humano de tal forma que um observador externo não consiga distinguir entre os dois. Focado na capacidade de imitar a linguagem humana, o teste tornou-se um marco teórico na IA por oferecer um critério para avaliar se uma máquina pode simular interações humanas de maneira convincente, como assistentes virtuais. Embora o Teste de Turing não meça a “inteligência” em sentido pleno, ele permite verificar a capacidade de uma máquina imitar humanos ao ponto de enganar interlocutores em competições internacionais31. De fato, para Turing, ao invés de se definir o que é inteligência, seria mais adequado comparar os resultados de um processo. Se um processo é considerado inteligente quando realizado por um ser humano, então também pode ser qualificado como inteligente se for realizado por uma máquina32.
Notas
31. Como esclarece Marta Mollicone, a formulação do teste de Turing ofereceu a primeira definição “operacional” de inteligência artificial (Il Rischio dell’Intelligenza Artificiale Applicata: Modelli di Allocazione a Confronto. Actualidad Jurídica Iberoamericana, n. 18, fev. 2023, p. 2113). Vejam-se maiores detalhes, ainda, em Veronese, Silveira e Lemos, 2019, p. 12.2. 32. Esse raciocínio baseia-se no método do “Imitation Game” (“Jogo da Imitação”), desenvolvido por Alan Turing, descrito no primeiro parágrafo de seu artigo Computing Machinery and Intelligence, op. cit., p. 436. 33. O processamento de linguagem natural (PLN) será abordado no subcapítulo 1.3.Alessandro Casoretti Lavorante
Prof. Me. pela USP
Advogado especializado em Direito Digital, IA e Startups. Mestre em Direito Civil pela USP. Autor do livro "Responsabilidade Civil por Inteligência Artificial".