Trata-se de um dispositivo matemático que funciona como um autômato finito (por possuir um conjunto finito de regras e um alfabeto finito de símbolos), utilizando uma fita de comprimento infinito na qual é possível ler, escrever ou apagar símbolos. Um dos teoremas mais significativos sobre as máquinas de Turing é que elas podem simular o comportamento de um computador. Portanto, se um problema não puder ser resolvido pela máquina de Turing, ele também não pode ser solucionado por um computador, sendo classificado como um problema indecidível29. Pouco depois, em 1945, surge a arquitetura de computadores proposta por Von Neumann, em um relatório intitulado “First Draft of a Report on the EDVAC (Electronic Discrete Variable Automatic Computer)”. A arquitetura de Von Neumann foi uma inovação crucial que estabeleceu a base para o funcionamento dos computadores a partir de seu modelo de armazenamento de programas. Caracteriza-se por uma estrutura que divide o sistema de computação em cinco componentes principais, estabelecendo-se como a base fundamental para a maioria dos computadores que viriam – e ainda hoje utilizada em muitas máquinas. Na década de 50, foram realizados experimentos para determinar se máquinas poderiam exibir comportamento inteligente. Alan Turing, mais
Notas
28. A razão para a mistura de línguas no título em questão reflete uma prática comum à época, a de misturar inglês e alemão em publicações científicas, e tem a ver com o papel central da Alemanha como um dos principais centros de pesquisa em matemática e lógica no início do século XX. O termo “Entscheidungsproblem” significa “problema de decisão” em alemão. 29. Cf. Dapkevicius, 2024, p. 2; também Navarro, 2017, pp. 23-25. Como ainda elucidam Veronese, Silveira e Lemos, o cálculo na máquina de Turing ocorre por meio de uma fita, que se tornou comum posteriormente com fitas e cartões perfurados, e que armazena dados em uma sequência de “0” (zero) e “1” (um). A máquina lê cada símbolo e consulta uma lista de comandos – o programa – que determina a próxima ação a ser executada, seguida de uma nova leitura. Esse processo binário de decisões, baseado em “sim” ou “não”, é a base de toda a computação. Assim, a máquina universal de Turing poderia realizar qualquer cálculo computacional, dependendo apenas da lista de comandos fornecida (Veronese, Alexandre; Silveira, Alessandra; Lemos, Amanda Nunes Lopes Espiñeira. Inteligência artificial, Mercado Único Digital e a Postulação de Um Direito às Inferências Justas e Razoáveis: uma Questão Jurídica entre a Ética e a Técnica. In: Frazão, Ana; Mulholland, Caitlin (Coord.). Inteligência artificial e Direito: Ética, Regulação e Responsabilidade. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2019, p. 12.2). 30. Turing, Alan. Mind – A Quarterly Review of Psychology and Philosophy, v. 59, n. 236, out. 1950, pp. 433-460. Nessa obra, Turing faz sua definição de IA (p. 436) ao afirmar que “the idea behind digital computers may be explained by saying that these machines are intended to carry out any operations which could be done by a human computer” (“A ideia por trás dos computadores digitais pode ser explicada ao dizer que essas máquinas foram concebidas para executar qualquer operação que pudesse ser realizada por um ‘computer’ humano”). A expressão “human computer” refere-se ao uso histórico da palavra “computer”, que originalmente designava pessoas que realizavam cálculos matemáticos manualmente.Alessandro Casoretti Lavorante
Prof. Me. pela USP
Advogado especializado em Direito Digital, IA e Startups. Mestre em Direito Civil pela USP. Autor do livro "Responsabilidade Civil por Inteligência Artificial".